Desigualdade de Gênero e Trabalho: Uma Questão Social

Por Catarina AC de Araújo

(Catarina Araujo-Waniek)

Entender a temática envolvendo gênero e trabalho é fundamental para que possamos, consequentemente compreender as relações existentes entre homens e mulheres no ambiente laborativo. Assim, se faz necessário que primeiro aceitemos a existência da desigualdade de gênero presente no mercado de trabalho, para depois então, entendermos e promovermos a equidade no ambiente profissional. 

Sabe-se que o trabalho é atividade essencialmente humana, sendo ainda a fonte de dignidade da pessoa humana, o sustento de cada cidadão na sociedade, para manter sua condição natural de existência.

Nesse contexto pode-se dizer que o trabalho é a força motora que mantem as relações entre os indivíduos através da sociabilidade e cooperação, bem como a produção de capital.

Entretanto, a desigualdade de gênero encontra-se presente na estrutura social até os tempos atuais, em razão de nossa sociedade ter sido construída em sólidas raízes patriarcais, passando pela organização da sociedade em que vivemos, pela política, produção e cultura, se tornando desta forma, uma questão social.

E dentro do contexto gênero, inclui-se ainda as diferenças em relação a poder econômico, raça (etnia), orientação sexual, idade e classe, fatores que contribuem efetivamente para a discriminação social. Isso significa dizer que a desigualdade de gênero, além de ser um problema cultural, está estritamente associada à discriminação social.

Vale a pena ressaltar que a questão do gênero  é crucial para a formação das relações dentro das organizações, como por exemplo questões de contratação de pessoas, desenvolvimento de certas atividades laborativas, ocupação de cargos de chefia, promoção e remuneração.

Sendo assim, considerando a divisão de trabalho de certa forma, sempre houve exclusão da mulher para determinadas funções e ocupação de cargos. Ademais, em se tratando do quesito remuneração, mais uma vez a mulher sempre teve seu salário inferior ao do homem, mesmo realizando a mesma tarefa e com melhor desempenho. 

Ainda vivemos em uma “lógica sexista”, onde somente os homens possuem melhores salários e maior capacidade – competência para realização de determinadas funções.

Não podemos ainda ignorar o fato de que há um tempo atrás, mulheres brancas não precisavam trabalhar, pois estariam cuidando do lar e dos filhos, mas mais tarde tiveram acesso a educação; enquanto que as mulheres negras foram escravizadas e posteriormente submetidas ao trabalho pesado nas lavouras e em condições precárias de trabalho; e sem nenhuma oportunidade de direito à educação.

Na verdade, essa foi uma das realidades de construção de nossa sociedade, ou seja, começamos já com diferenças dentro do próprio grupo feminino, evidenciando assim a desigualdade de gênero e econômica de forma bem clara.

Porém, considerando hoje as mulheres no mercado de trabalho, esta realidade não mudou muito, a partir do momento em que ainda existem mulheres pobres com muito mais dificuldade de encontrar um bom emprego, mulheres enfrentando preconceito para se empregar (já que a gravidez ainda é motivo para maiores e melhores ofertas de emprego para os   homens, quando comparados às mulheres), trabalho e cuidado com os filhos, o fator idade que limita também oportunidades, mães solo que possuem filhos com determinados problemas e limitações; enfim, as possibilidades existem, mas ainda está faltando a igualdade entre os gêneros.

Outro ponto a ser mencionado é a influência da globalização econômica causando transformações no mundo do trabalho, onde tem-se percebido uma maior dificuldade de dar visibilidade a presença feminina nessa nova dinâmica produtiva, uma vez que mulheres na indústria, por exemplo, entram para trabalhar mas muitas das vezes, para realização de funções menos qualificadas e com menor oportunidade ocupacional.

Por outro lado, não podemos nos esquecer que com o surgimento de movimentos emancipando as mulheres, mesmo diante de tanta dificuldade, existe a luta pela igualdade de direitos e pelos direitos trabalhistas, tendo como consequência a formação de grupos femininos ganhando espaço e visibilidade, onde muitas dessas mulheres estão conseguindo sua liberdade econômica e posicionamento social.

Além disso, estudos mostram que as mulheres estão cada vez mais a frente dos homens quando se fala em escolaridade e ensino superior completo.

É importante destacar que essas mulheres além do trabalho para sustentar suas famílias e dar o melhor para seus filhos, ainda cuidam da familia, marido e das atividades domésticas, mesmo diante de tantas barreiras sociais.

Assim, espera-se que a cada dia, nós mulheres possamos nos fortalecer e unidas vencer muitos dos obstáculos impostos por uma sociedade até então, bastante machista e patriarcal em que TODAS vivemos.

Bibliografia:

Castel, R.  1998. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. Petrópolis: Vozes.

Castells, M. 1999. O fim do patriarcalismo: movimentos sociais, familia e sexualidade na era da informação. In: CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. São Paulo: Paz e Terra.

Castel, R. 2013. Desigualdade e a Questão Social, Educ. SP. 

Guiraldelli, R. 2011. Trabalho e gênero: aportes para o debate da questão social. Textos   & Contextos, v.10: 244-254.

OLIVEIRA, Gabriela Carraro. 2019. Ativismo feminista digital: análise das estratégias discursivas da hashtag #PrimeiroAssédio. 60 f. TCC (Graduação). Curso de Comunicação Social – Jornalismo, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

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